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28 de setembro de 2006

Síndrome de Peter Pan

Ideologia é igual gosto, cada um tem um e nem por isso é essa ou aquela que está certa ou errada, porque tudo depende do que o empresário quer, depende do objetivo. Ultimamente tenho visto muitas matérias sobre negócios de nicho, algumas filosofias contrárias as do Sr. Jack Welch sobre o “antigo” dever de ser grande e que no mundo moderno alguns fenômenos empresariais aconteceram aos que se mantiveram enxutos, menores e ágeis.

Sempre fui a favor da agilidade e por isso sou um amante de microempresas, nelas é possível trabalhar nicho, criando algo novo utilizando infindáveis recursos do mundo moderno. A tecnologia tende a igualar grandes e pequenos, e nessa nova situação, ser grande poderá machuca-lo. Micro-empresas são naturalmente ágeis.
Todo CEO sabe da importância do cliente, mesmo assim as grandes empresas acabam perdendo a aderência a essas pessoas, tornam-se distantes dos clientes. Nelas é necessário refratar grande parte do tempo com a diretoria e os acionistas, assuntos internos para tomadas de decisões com um monte de gente opinando sobre valores “percebidos” que invariavelmente estão distantes dos valores reais. Assim é feito porque o valor percebido tem um peso determinante no mercado de ações.  Quem perde? Os clientes. Quem ganha? As empresas menores que vão atuar no nicho resultante disso.

As pequenas mantêm o CONTROLE SIMPLES, tornando muito mais fácil manter os olhos atentos para o lado de fora, nos clientes. Com elas é possível lucrar mais com um faturamento menor, menos desgaste e mais resultado.

Foi-se o tempo que uma grande empresa conseguia literalmente sufocar os menores, eles que não se cuidem! Está aí o caso da Microsoft e da IBM para ilustrar. Em 1993 o valor de mercado da Microsoft ultrapassou o da IBM mesmo o Bill Gates tendo a vigésima parte do faturamento da IBM. Olha aí o Long Tail mostrando que o mercado de nicho pode engolir ou se igualar ao mercado dos favoritos, sejam eles representados por produtos ou empresas.

Ser grande ou pequeno é questão de ideologia, como eu disse, depende do que você quer. A DoceShop tem apostado no crescimento com capital próprio de forma consistente, acreditando na longevidade e sem medo de ser feliz. Já completamos dez anos de labuta e espero continuar por muitos e muitos anos aqui na Terra do Nunca. Prefiro dividir a crescer feito metástase.

Descobri o termo Síndrome de Peter Pan no Business Opportunities Brasil  em um artigo da Revista Amanhã sagazmente blogado pela amiga Cris Zimermmann. Segue trecho:

“Buscar dinheiro fora da empresa para crescer de forma agressiva, ampliar a participação de mercado e aniquilar a concorrência. A atual lógica corporativa aponta para o caminho da superação e do desenvolvimento contínuos como se fossem a única alternativa de sobrevivência de um negócio. Algumas companhias, no entanto, fazem a escolha inversa: optam pelo crescimento com capital próprio e se desenvolvem de forma discreta, consistente e longeva. Resistem há décadas às ondas de fusões e aquisições e também ao flerte do mercado de capitais. Analistas e consultores têm denominado essa opção estratégica empresarial como Síndrome de Peter Pan.”

26 de setembro de 2006

A marca da inocência

Cigarrinhos de chocolate PanNaquela época não parecia politicamente incorreto, afinal éramos crianças ou quase. Atualmente, seria totalmente inapropriado, indecente, escandaloso (nenhuma referência ao tal vídeo) vender para crianças alguma coisa semelhante a cigarros.

Ah, tempos bons aqueles de descobertas e brincadeiras em que tudo que pertencia ao mundo dos adultos era desejado e proibido.

Não fazia mal algum fazer propaganda com cigarrinhos de chocolate, era um desejo infantil, brincar com eles talvez até evitasse algumas tragadas escondidas no banheiro. Consumi muitos cigarrinhos de chocolate e nem por isso me tornei um fumante (talvez um pouco fofo), mas este ato, quase de “delinqüência juvenil”, foi o suficiente para confeccionar algumas teorias de conspiração hilárias.

Segundo Rodrigo Jéster a aparência inocente, a doçura do chocolate, tudo era parte de um plano para condicionar os adultos de hoje a consumir cigarros e que alguns dos fumantes entrevistados por ele em sessões de hipnoterapia, vejam só,  confessaram que ao invés de ver nas embalagens mensagens como “o fumo causa câncer”, apenas viam um menino sorridente, convidando-o a saborear o conteúdo da caixa. Suas pesquisas o levaram a crer que o foguete no topo da fábrica de chocolates Pan era um plano de fuga de figuras chaves do cartel tabagista. Se for isso mesmo, eles fugiram para o espaço porque o foguete já não está mais lá.

Hoje em dia os cigarrinhos, infelizmente, deixaram de existir e foram substituídos pelos politicamente corretos Chocolápis. Quem sabe a Pan não forme agora uma geração de escritores, ou pintores? De qualquer forma, eles continuam referenciando os lápis aos antigos cigarrinhos de chocolate de uma época inocente.

22 de setembro de 2006

Muito mais doce por metro quadrado

Se você vir alguém escrevendo como um doido em um caderninho enquanto caminha por aí, ou um cara que fica antenado ao seu redor enquanto anda de carro ou passeia, então terá grandes chances de ter visto um empreendedor. Particularmente, vivo conversando e trocando idéias com outras pessoas que são espertas ao topar com uma boa oportunidade, porque essa é uma excelente forma de ganhar informação que talvez não tenha tanta utilidade para eles, mas que para você é utilizável e em contrapartida dar informação útil aos outros, além de fazer muitas amizades pelo caminho.

Trocar informações é um dos objetivos do DoceBlog, quero mostrar o que tem me dado resultado com as experiências que vivo para conseguir informações com as experiências que você vive (se você quiser é claro). Dessa forma ambos crescemos, já que seremos obrigados a desenvolver novas técnicas e informação nova para não ficar para trás.

Tem sempre alguém com mais experiência para trocar, difícil é encontra-los. Se você procura este tipo de informação, então pode, além de ler este blog, assistir aos vídeos da Endeavor, uma organização sem fins lucrativos, que tem como missão gerar emprego e renda através do fomento à cultura empreendedora baseada em oportunidade e inovação. Foi assim que tive o primeiro contato com as idéias do Sr. Meyer Joseph Nigri, sócio-fundador e hoje Presidente da construtora Tecnisa. Estou aqui destacando a palavra desse empreendedor porque ele ajudou a mudar a DoceShop. Você provavelmente vai pensar; O quê! Mas o que tem haver um atacado e varejo de doces com construtoras, além dos blogs na Revista IstoéDinheiro?

Pois é justamente isso que eu estou querendo demonstrar. Estou escrevendo para faze-lo ver que as empresas de qualquer ramo têm muito em comum, e que acabei aproveitando uma idéia original de uma construtora para expor melhor meus produtos e com um custo muito menor. Basta manter a mente e os ouvidos abertos, não desperdice nada.

Além de observar como o Sr. Nigri desenvolve o relacionamento com seus clientes, o conceito que ele descreveu sobre o Grand Space ficou na minha cabeça (veja o vídeo). Na época estávamos procurando um novo ponto, melhor localizado, para nossa loja. Encontramos alguns, mas um em particular se enquadrava no conceito do Sr. Nigri, só que ao contrário. Para resumir, a Tecnisa percebeu que haviam variações de custo quando construíam em formato retangular, apesar da área ser a mesma. O que acontece é que o perímetro (contorno) é maior em um retângulo do que em um quadrado e reduziram custos alterando o formato dos apartamentos, para desespero da concorrência. Parece óbvio, mas o pensamento e o preço do mercado eram em área, não em perímetro. Atualmente, todos conhecem o conceito do Grand Space da Tecnisa. Bom, a nova loja da DoceShop agora tem dois andares e a área de loja é menor do que a que estávamos, só que ela é retangular, portanto com um perímetro maior. O resultado é que hoje alugamos um imóvel muito mais barato, com ponto de ônibus em frente, a trinta metros de uma avenida movimentada, rodeada de escolas e temos muito mais produto exposto, usamos toda nossa perimetragem além é claro do espaço central.

Agora a Tecnisa é muito mais construtora e a DoceShop é muito mais doce por metro quadrado. ;)

Relação área x perímetro