Síndrome de Peter Pan

Ideologia é igual gosto, cada um tem um e nem por isso é essa ou aquela que está certa ou errada, porque tudo depende do que o empresário quer, depende do objetivo. Ultimamente tenho visto muitas matérias sobre negócios de nicho, algumas filosofias contrárias as do Sr. Jack Welch sobre o “antigo” dever de ser grande e que no mundo moderno alguns fenômenos empresariais aconteceram aos que se mantiveram enxutos, menores e ágeis.
Sempre fui a favor da agilidade e por isso sou um amante de microempresas, nelas é possível trabalhar nicho, criando algo novo utilizando infindáveis recursos do mundo moderno. A tecnologia tende a igualar grandes e pequenos, e nessa nova situação, ser grande poderá machuca-lo. Micro-empresas são naturalmente ágeis.
Todo CEO sabe da importância do cliente, mesmo assim as grandes empresas acabam perdendo a aderência a essas pessoas, tornam-se distantes dos clientes. Nelas é necessário refratar grande parte do tempo com a diretoria e os acionistas, assuntos internos para tomadas de decisões com um monte de gente opinando sobre valores “percebidos” que invariavelmente estão distantes dos valores reais. Assim é feito porque o valor percebido tem um peso determinante no mercado de ações. Quem perde? Os clientes. Quem ganha? As empresas menores que vão atuar no nicho resultante disso.
As pequenas mantêm o CONTROLE SIMPLES, tornando muito mais fácil manter os olhos atentos para o lado de fora, nos clientes. Com elas é possível lucrar mais com um faturamento menor, menos desgaste e mais resultado.
Foi-se o tempo que uma grande empresa conseguia literalmente sufocar os menores, eles que não se cuidem! Está aí o caso da Microsoft e da IBM para ilustrar. Em 1993 o valor de mercado da Microsoft ultrapassou o da IBM mesmo o Bill Gates tendo a vigésima parte do faturamento da IBM. Olha aí o Long Tail mostrando que o mercado de nicho pode engolir ou se igualar ao mercado dos favoritos, sejam eles representados por produtos ou empresas.
Ser grande ou pequeno é questão de ideologia, como eu disse, depende do que você quer. A DoceShop tem apostado no crescimento com capital próprio de forma consistente, acreditando na longevidade e sem medo de ser feliz. Já completamos dez anos de labuta e espero continuar por muitos e muitos anos aqui na Terra do Nunca. Prefiro dividir a crescer feito metástase.
Descobri o termo Síndrome de Peter Pan no Business Opportunities Brasil em um artigo da Revista Amanhã sagazmente blogado pela amiga Cris Zimermmann. Segue trecho:
“Buscar dinheiro fora da empresa para crescer de forma agressiva, ampliar a participação de mercado e aniquilar a concorrência. A atual lógica corporativa aponta para o caminho da superação e do desenvolvimento contínuos como se fossem a única alternativa de sobrevivência de um negócio. Algumas companhias, no entanto, fazem a escolha inversa: optam pelo crescimento com capital próprio e se desenvolvem de forma discreta, consistente e longeva. Resistem há décadas às ondas de fusões e aquisições e também ao flerte do mercado de capitais. Analistas e consultores têm denominado essa opção estratégica empresarial como Síndrome de Peter Pan.”
Naquela época não parecia politicamente incorreto, afinal éramos crianças ou quase. Atualmente, seria totalmente inapropriado, indecente, escandaloso (nenhuma referência ao tal vídeo) vender para crianças alguma coisa semelhante a cigarros.

"...o Blog da Doceshop rapidamente conquistou uma posição sólida entre os blogs corporativos no Brasil, tem muito e bom conteúdo, e é constantemente linkado por muita gente séria..."
"...o Roberto é um cara bacana (com meia dúzia de dicas que trocamos por comentários, e-mails e MSN ele montou um dos melhores blogs corporativos do Brasil)."
"...se eu fosse você, iria agora mesmo dar uma lida, porque de empreende- dorismo o cara manja. E tem visão. E é ético. Em outras palavras, uma opinião como a dele jamais pode ser ignorada, não é mesmo?"