O mestre das ilusões
Um perfil de gestão que costuma persistir é o do líder general. Grandes resultados foram atingidos em empresas cujos “donos” se encaixavam neste perfil, mas atualmente este modelo parece não estar mais funcionando tão bem. As pessoas estão mais inteligentes, mais cultas e mais rápidas do que a dez, vinte anos e questionam mais por conta disso. Eu considero uma prática perigosa utilizar-se desse tipo de liderança no mundo moderno, não é mais plausível bater a mão na mesa e ordenar a execução de uma tarefa pura e simplesmente.
Hoje é necessária uma pequena explicação do porque, qual a missão e por qual objetivo as pessoas estão trabalhando. É claro, há momentos que não dá pra ficar conversando, ou faz ou racha, e se for necessária uma ordem direta com execução imediata, então que essa possibilidade seja elucidada previamente.
Aos funcionários da DoceShop é dito no momento da contratação como é feito o trabalho e que isso não é imposição, tudo pode ser mudado para melhor desde que seja conversado, todos vejam vantagens e principalmente concordem com a mudança. Não se faz nada sem a participação de todos os envolvidos. Isso é fácil pela nossa característica enxuta, reunião é de 10 minutos e pau na máquina. Há também uma reunião mensal de 1 hora para discutir assuntos mais complexos, nenhuma delas termina sem conclusão do tipo solução e ação.
Alguns podem discordar desse meu jeito democrata, mas tem dado certo com quem participa. Convivi com alguns líderes generais do tipo quem manda aqui sou eu! Ninguém contrata um advogado, engenheiro ou médico para ficar ensinando o serviço dele, mas para medir o resultado. O resto tem que vir de fábrica e tudo isso deve ser analisado na contratação.
O problema de ser muito mandão é que o funcionário pode acatar uma ordem mesmo não concordando com ela. O resultado será um trabalho mau feito, e simplesmente mandar embora não é solução, ou pior você pode estar enganado e dando uma ordem errada. Se bater o pé o funcionário vai fazer mesmo sabendo que você poderá se arrepender disso mais tarde. É aí que você vira o mestre das ilusões, não porque ilude, mas porque se torna iludido. Com o tempo todos começarão a simplesmente concordar com qualquer asneira que é dita e se tornarão trabalhadores infelizes e desmotivados. Trabalharão apenas pela grana.
Quem tem o perfil de líder general na empresa geralmente o mantém fora dela também. Certa vez uma pessoa, já falecida e que deixou uma empresa sólida, chegou dizendo que tinha comprado um carro cuja carenagem era de fibra ótica. Fibra ótica! Ninguém se atreveu a dizer, seria talvez fibra de vidro?
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"... Blog da Doceshop rapidamente conquistou uma posição sólida entre os blogs corporativos, tem muito e bom conteúdo, e é constantemente linkado por muita gente séria..."
"...o Roberto é um cara bacana (com meia dúzia de dicas que trocamos por comentários, e-mails e MSN ele montou um dos melhores blogs corporativos do Brasil)."
"...se eu fosse você, iria agora dar uma lida, porque de empreende-dorismo o cara manja. E tem visão. E é ético. Em outras palavras, uma opinião como a dele não pode ser ignorada"
"...posso afirmar que é um dos primeiros blogs corporativos brasileiros que não se limita a uma seção de news usando o Wordpress..."
Meu nome é Roberto Machado, proprietário do DoceShop Atacado e Varejo de doces e autor deste
4 outubro, 2006 às 1:02 pm
Beto, realmente!
Outro dia, postei um comentário no blog do GL da Silva e ele me “tirou” dizendo que sou um “filósofo do trabalho” pra substimar a inteligência e soberania dos patrões poderosos, donos da verdade e mercado.
“O problema de ser muito mandão é que o funcionário pode acatar uma ordem mesmo não concordando com ela. O resultado será um trabalho mau feito, e simplesmente mandar embora não é solução, ou pior você pode estar enganado e dando uma ordem errada.”
É exatamente o que penso.
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4 outubro, 2006 às 2:25 pm
Esta é a visão mais abrangentes sobre o coronelismo no trabalho que ja vi.
Realmente este perfil de “patrão” é desaconselhavelmente desaconselhado =D O problema é que só porque são donos da empresa se acham os donos da verdade, e intangíveis.
Excelente post!!!
Abraços
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