8 de setembro de 2007

O que acontece quando fiscais procuram cabelo em ovo.

É nessas horas que empreendedor precisa ter o coração forte, e o resumão de português na mão.

Geralmente fiscais da prefeitura aparecem sempre em dupla. Um grandão bonzinho e um baixinho invocado.

Não adianta ter todos os documentos muito bem organizados que sempre dá um friozinho na barriga.

É o mesmo que ser parado na estrada pelo guarda de trânsito.

Você sabe que está tudo certo, os documentos em dia, revisão do carro feita recentemente. Mas, vai que uma lanterna quebrou e você não viu, ou simplesmente o guarda está de mau humor e resolve que você se parece muito com o cara da foto pendurada na parede da delegacia.

Pois é, os meus fiscais encresparam comigo. Mais especificamente com meu Alvará de Funcionamento, justo ele.

Os olhos deles iam procurando enquanto eu fazia o check-out dos pilotos.

  • Produtos bem acondicionados no estoque. Ok
  • Distância entre itens de produtos da parede. Ok
  • Paredes com barrado de tinta acrílica. Ok
  • Banheiros limpos e afastados. Ok
  • Extintores novinhos. Ok
  • Letreiros em conformidade com os padrões. Ok
  • Todos os documentos organizados. Ok
  • Alvarás emoldurados e na parede…Ok

Êpa, o grandão tá demorando no Alvará de Funcionamento.

Danou-se! Fez careta e tisc, tisc, tisc.

Eu não conseguia lembrar exatamente o que estava escrito nele.

O grandão chamou o baixinho, que na ponta dos pés proferiu. – Huuummmnn.

Putz, o que está errado?!

Com o Alvará nas mãos o grandão se aproximou e me disse que eu não poderia jamais estar comercializando produtos que sejam embalados fora do estabelecimento. Que é necessário seguir as regras de limpeza e conservação, que fora do estabelecimento eu não poderia embalar nada.

Ué! Mas eu não embalo produto nenhum, muito menos na calçada. Deixa eu ver o Alvará.

Estava escrito:

… licença para comercializar, produtos alimentícios embalados, fora do estabelecimento…

Parece que os fiscais desconsideraram as vírgulas.

Eu comercializo fora do meu estabelecimento, com vending machines, produtos embalados na fábrica. Me deu uma vontade de fazer uma careta e rebater o sonoro…

Tisc, tisc, tisc.

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     3 comentários

    1. cardoso

      Eu conheci um taxista que deixou um guarda falar durante meia-hora em uma blitz que iria apreender o taxi, por falta de IPVA… depois que o cara ameaçou até não poder mais, o taxista pediu pra falar com o sargento que comandava a blitz.

      Perguntou basicamente ao sargento se os subordinados dele não tinham treinamento para saber que taxis no Rio são isentos de IPVA, e se ele iria colocar “falta de IPVA” no auto de infração.

      O soldado tomou um esporro, o taxista ganhou um pedido de desculpas e foi liberado na hora.

      Eu adoro essas “infrações” onde a burrice impera. Outro dia um sujeito foi multado no cruzamento de duas ruas, só que as mesmas são paralelas. Deu matéria de jornal e tudo.

      [Responder]

    2. Rafael Slonik

      Hahahahaha! Boa Roberto! Chuta a bunda dos fiscais!

      [Responder]

    3. O ATESTADÃO - O Jornal que vem na contramão

      [...] O que acontece quando fiscais procuram cabelo em ovo. [...]

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