1 de setembro de 2006

Quando a oportunidade bate

A pessoa observadora e curiosa, que por sua natureza é nutrida de conhecimento, dificilmente deixa passar uma boa oportunidade. Acredito serem estes os dois fatores mais importantes para detectar estas que são, na maioria das vezes, obscuras para pessoas distraídas e despreocupadas.
Um exemplo de visão aguçada para a oportunidade foi justamente do Monteiro Lobato, que numa lenda contada aqui pelo nosso amigo Menalton Braff, descobriu uma lagoa com “água podre”, que acabou por leva-lo a cadeia graças a um despautério do governo.

Segundo a lenda, em périplo pelo interior da Bahia, Monteiro Lobato resolveu visitar uma fazenda. A certa altura, passeando pelo campo, percebeu que o gado, mesmo sedento, aproximava-se de uma lagoa, cheirava-lhe a água, bufava e ia embora. Isso intrigou o escritor paulista, que, muito curioso, perguntou ao fazendeiro por que estranha razão o gado não bebia daquela água.
Ah, respondeu-lhe o fazendeiro, essa água aí?, essa água não presta. O gado não bebe porque a água está podre. Monteiro Lobato resolveu, movido por sua curiosidade, observar melhor aquela lagoa de águas escuras. Aproximou-se e enfiou nela um braço até a altura do cotovelo. Ao trazer o braço de volta ele estava coberto por um líquido preto e viscoso. Ele acabava de descobrir petróleo na Bahia. E a história prossegue até a fundação da Petrobrás, mas não sem que antes se passe pela prisão e exílio voluntário do maior escritor infantil do país…

Identificada a oportunidade, segue-se o passo de lutar. Monteiro Lobato não tinha medo de enfrentar seus adversários e mesmo indo para cadeia, sentiu-se ainda mais motivado, o que resultou, dentre outras coisas, um livro O escândalo do petróleo e ferro.


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